Geral
O Preço da Poesia
Autor: Rodrigo Dias on Monday, 1 June 2026Quando a gente encontra a palavra exata,
Aquela mesma que cabe direitinho
No cantinho que tem na nossa alma
No momento mais preciso,
Quando a gente nem sabia que estava lá…
Tem preço isso?
Quando a gente encontra a palavra exata,
Aquela mesma que conta direitinho
O que está acontecendo no mundo
No momento mais preciso,
Quando a gente tenta entender tudo…
Tem preço isso?
Quando a gente encontra a palavra exata,
Aquela mesma que consegue direitinho
Dores Que Não São Minhas
Autor: Rodrigo Dias on Monday, 1 June 2026Sei sentir dores que não são minhas
Mas não as quero;
Sei me afogar em mares que nunca toquei
Sem sequer provar seu sal.
Sei fechar os olhos e ver a profunda escuridão
Ao meio-dia, em pleno verão
Enquanto tudo em volta queima e arde…
Mas também sei curar,
Sei sair da água e respirar.
Sei acender a luz e resplandecer.
E, como a morte não é um estado temporário,
Prefiro a perenidade da vida.
Manias de Grandeza
Autor: Rodrigo Dias on Tuesday, 12 May 2026Tenho manias de grandeza:
Dessas que, de tão grande,
Não caibo só em mim mesmo…
Amo para além de mim;
Trabalho mais do que devia
Quero tanto viver que nunca dá tempo
E me angustio!
De ler muitos livros,
De ouvir muitas músicas,
De abrir muitos risos,
Tenho sede.
De passear muitos campos,
De nadar muitas praias,
De deslumbrar muitas flores
Tenho fome.
Sonho para além de mim;
Durmo menos do que devia
Cidades Pequenas
Autor: Rodrigo Dias on Tuesday, 12 May 2026Ainda hei de escrever crônicas
De cidades pequenas espalhadas pelo mundo
Onde hei de espalhar meus passos
Acostumados à cidade grande.
Ainda hei de engrandecer os detalhes
De cidades pequenas espalhadas pelo mundo
Onde hei de espalhar meus olhos
Acostumados a grandezas de cidades.
Ainda hei de guardar os perfumes
De cidades pequenas espalhadas pelo mundo
Onde hei de espalhar meu nariz
Acostumado a (falta de) cheiro de cidade grande.
Verão
Autor: Rodrigo Dias on Wednesday, 29 April 2026Deixe que o Sol de hoje queime tudo!
Refrate-se nos vidros
E vibre suas ondas de calor no asfalto
Que escolhemos para nos aprisionar
Numa irreal sensação de conforto
De cidade grande, moderna, chique…
Sol, arda!
Mostre-nos tua força!
Torna insuportável nossa vontade,
Nossa imensa vontade de fugir…
Nossa terrível covardia
Que nos torna viciados e pobres
E insanos;
Torra nossa última vontade de pensar!
Deixe que o calor sufoque!
Quem sabe dessa agonia
Sem Saber
Autor: Rodrigo Dias on Wednesday, 29 April 2026E se a dúvida fosse a única esperança?
E se saber fosse uma ilusão?
Se a certeza fosse ultrapassada
E a verdade fosse a maior mentira?
E se só tivesse respostas, sem perguntas?
E a ignorância fosse a suprema sabedoria?
Se o tempo fosse obsoleto
E o instante, a eternidade?
Faz sentido aprender?
É mais feliz quem não sabe;
É mais lúcido quem se vicia
E se permite pertencer ao jorro
Torrencial, multicor, desuniforme
Desse belo diário de crônicas
Que corre entre nós
Identidade
Autor: Rodrigo Dias on Tuesday, 28 April 2026Ai de mim!
Só sei de mim
O que dizem por aí
Se nada dizem, como sei?
Então me rasgo e me exponho
Para que me vejam
E me digam quem sou
Eu mesmo não sei
Só digo que sei
O que dizem que sei
Às vezes me dizem que não sei
O que deveria saber
Mas é só o que me dizem
Que me tornam eu mesmo
Para mim e para todos
Mas acordo e não sei
Se como não sei
Se vivo não sei
Se existo e ajo e reajo;
Se opino não sei
Se quero não sei
Ser, sou…
Cá e Lá
Autor: Rodrigo Dias on Wednesday, 22 April 2026Cá estou eu;
Às vezes chego até ali,
Me acerco, às vezes, de acolá…
Mas lá?
Para mim não há lá!
Para mim, que sou de cá.
De cá olho para lá
Com olhinhos espichados,
Com olhinhos apertados
Como tentasse ver claramente
O que de lá aparece para mim, enevoado
Envolto numa bruma que torna lá irreal
Que se como se lá fosse uma ilusão,
Um sonho para quem é de cá.
Ponte não há
Senão aérea,
Senão etérea, cyberficial
Que conecte cá e lá
Palavras Peraltas
Autor: Rodrigo Dias on Wednesday, 22 April 2026Às vezes, escrever
É brincar de pique com as palavras;
Elas parecem peixinhos escorregando na água
E minhas mãos nuas não as agarram.
Então as deixo nadar
E apenas observo sua dança brincalhona
Quantas realidade não dizem?
Quantas ficções não constroem?
Ah, palavrinhas peraltas!
Como vos amo, de todo o coração!
Desisto de escrever!
Quando quiserem se deixar pegar,
Estarei por aqui,
Esperando e observando com (des)atenção.
