Geral

ENTRE FLORES E FLORES

Há flores que nascem na terra
Providas de amor e de paz,
E outras que nascem na pedra e na pedra onde nascem elas morrerão

A primeira, eu digo, não erra
E tampouco algum mal ela traz
As primeiras que nascem e crescem se espalham no vento e por lá estarão

Mas escute o que agora eu lhe digo
A segunda ela é fria e tão dura
Elas nascem crescidas e tão bem formadas que nunca que elas mudarão

Domável

DOMÁVEL

Hora me faço,

Me desfaço...

Travo os passos.

Trago os traços,

Pontos, vírgulas e espaço,

Homem livre

Em vão escarço.

Suspiro no abraço

E só adormeço no laço,

Que me doa o regaço.

Por Jamerson F. Leite  

Não Quero o Adeus Que Nos Olhos Trazes

Não quero o adeus que nos olhos trazes
Tristeza traçada num silêncio sem fim
Rochas imersas que se debatem em mim
Sons mudos no tempo, poema sem frases.

Não quero a despedida que na tua voz ouvi
Partilha de murmúrios, um mesmo respirar
Pudesse eu muralhas perdidas abraçar
No teu rosto que em silêncio mora aqui.

Completamente nua...

Tiro a roupa,
peça a peça,
sentido o corpo se libertar,
sinto-lhe a forma o cheiro,
que até então aprisionado,
começa agora a se revelar...

Depois de excomungados os panos,
a pele arrepia independência,
sente-se em afinação,
com a sua verdadeira essência...
mas porque não me sinto eu nua,
se de mim já se foram os panos
existe algo ainda a despir,
neste meu corpo de enganos...

Serviu-me coquetel com dose de morte

Sou-me mil corpos devastados, Escrevi-me vinte em mais de mim Poetas vivos esquecidos Nas serras distantes da morte. Eu, não sendo o qual sou Vi-me de longe, Que eram todas as chuvas loucas dos dezembros. Que palavra grita e que letra chora? Peito fero forte pastando dédalo de idades Aos falos passageiros gostos Impossível de ser oceano num aceno No beijo dos lábios da praia Nem toque na anca do alheio Sexo do vago Desperdiçamos o cromo pé rápido das madrugadas indigentes Com falsas canções tempestivas Ao culto gemido quase ausente.

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