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Geral

Para escrever livros não é preciso ser escritor

Os escritores são iguais a toda a gente,
Têm uma profissão como tantas pessoas,
Ser escritor tem que ver com ser diferente,
Ou, pelo menos, ser viajante nas proas.

Poetas que escrevem fazem alexandrinos,
Fazem a métrica toda, se for preciso,
Com tantas personagens, com mais figurinos,
E a conclusão do verso é sempre um paraíso.

Escrever livros? É muito fácil fazê-lo.
Pode fazê-lo qualquer pessoa, e pronto.
Às vezes, fazem loucos, puxam o cabelo,
E nunca nada finaliza com um ponto.

A linguagem mata a verdade

O pensamento se perde pela linguagem
As sentenças mais joviais apodrecem
É como a passagem da infância
Para a feição adulta da vigilância:
Olhando todo o detalhe ligeiro.
É racional, mas esquece o primeiro 
Sentimento puro do momento.
Enunciados são caixões da verdade,
Palavras, catacumbas da triste saudade.

Engenheiro

Maquinário das emoções, 
Sob domínio de seu engenho, 
Ele dá passo a passo
A cerimônia de suas afeições.
Liturgicamente célebre em controle,
Em ritual sem deidades e padres;
Blasfemando contra sua natureza: 
Cérberos latem contra a alma.
Não sente nada que não deseja,
A não ser a mordida da vontade 
Que pereça: rasga suas veias
Porque não suporta sentir.
 
A cada ocorrido fúnebre,

Palhaço

Minha sombra clareia a escuridão
As luzes do palco focam em mim
O show do palhaço mentiroso
Por baixos dos panos está a verdade
Literalmente atrás das cortinas
O malfeitor de todos guerreiros.

Não tente decifrar este enigma
O aparato cognitivo te impede
A sensibilidade está acima da razão
Quem é o palhaço? Qual é a verdade?
Minhas ideias são caixas de metonímias:
Secretamente fechadas em paradoxos
De metáforas indulgentes.

O poder da Leitura

Folheando umas páginas

Descobrindo na leitura …

Não a música ou a imagem,

Mas o poder na doçura

De uma viagem inacabada,

Que precisa do leitor…

Para viver.

 

Se fosse simples escrever,

Qualquer um poderia ter,

Mesmo sem ninguém o ler

Um momento de prazer.

...

             Agostinha Monteiro

Não sei o que é beleza

Nossa arte morreu faz tempo
O que sobrou são restos de desalento
Olho um quadro abstrato e vejo vômito
Regurgito o material do quadro insólito

Minha náusea faz parte da obra moderna
A barriga está fria, é a vontade que não se alterna
Excrementos da feiura compõe natureza-morta
A pífia subversão da beleza-morta
Deixaram no caixão velho uma mentira intelectual
Ou talvez eu seja apedeuta e não veja o novo normal?     

Demiurgo

A linha do universo é tua,
E o embaraço que atua
Enrola na teia íngreme
A humanidade tisne:
Presa na arma: matéria
Aracnídeo torra a pérfida
Raça humana, mas logra
Deus e teus anjos afora
Não há escapatória
O rei da misericórdia
É o carrasco do júbilo,
Como és o murmúrio
Dos ventos fatídicos
De invernos lúdricos  

 
 

 

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