NOVES FORA
Autor: FERNANDO ANTÔNI... on Tuesday, 20 September 2022
sabe-se do vento
pela sua soberania
pela sua anatomia
sabe-se do vento
pela sua rebeldia
pelas suas cercanias
sabe-se do vento
pela sua alegoria
-noves fora: ventania!
sabe-se do vento
pela sua soberania
pela sua anatomia
sabe-se do vento
pela sua rebeldia
pelas suas cercanias
sabe-se do vento
pela sua alegoria
-noves fora: ventania!
Venho depois do inverno
colher rosas amarelas
e juntar todas
em um perfumado buquê
E propor à primavera
uma pausa na estação
para prolongá-la
na cadência dos dias
Época de transe floral
bela e transcendental
lindas orquídeas
colhidas sob a neblina
Tulipas / jasmins / margaridas
de tão acentuado vigor
que as tornam ousadas
feito um hábil sedutor
raízes de mim
vapor de essências
mas não me calha a indiferença
do estar no mundo negligentemente
diante do que sofra ou alegra
porções de mim
íntegro e desintegrado
com feitio de bárbaro relevo
destinando-me o clamor dos lírios
fluido exigente que sou
exalando um jorro incontinenti
como um cântaro derramado
que me assola irremediavelmente
-camurça de dor
ou urro de abrupto langor?
nos meandros do tempo
sobressaem-se nuvens lodosas
encobrindo nas montanhas e terras
uma trágica desolação
-consciente ou não
que irá implicar
no sacrifício de árvores, fauna, e água
para subtrair
do dia: o sustento
(que irá definhar)
da noite: o oráculo
(que nos caberá no julgamento final)
como uma presa rendida
irresoluta
O céu púrpuro tocou-me
A própria arte é a natureza
As nuvens de algodão-doce
Na minha boca adocicam
Meus trovões na revoada
Dianteiros ao meu caos
Um minuto de silêncio
Para a balbúrdia dos ventos...
Cantarolando o bardo se ouve
Batendo as asas joviais
Voe como pena e sem pena,
Seja livre!
Anoitece as várzeas do meu
Vale, e lá os pingos brancos
Plantam o lindo céu.
ando
como se tivesse nas pegadas
halteres de fisiculturismo
e quando a chuva
inunda de asas
o êxodo dos insetos
sou o halo da existência
e seu contato com a estação
e
sem querer
me vejo através dos flocos
de voragem
que me desatam a névoa
dos olhos
como borboletas assépticas
soltas
na atmosfera
sem enigma de aragem
ou tolice de hera
acolhe-me o luar de cobre
sobre este teto nobre
(desejado como o céu das noites
castanhas)
invadido pela ousadia da lua
ou de um caracol luminoso
no atol das contingências naturais
incandescencia de chama
orvalho laminar
que passeia em folhas sem guarida
-provisória estadia
sobre tenras superfícies-
ribeirão que irá findar-se na alva
(fio curvilíneo
de incompreendida ação -
águas que não se retém nas mãos
acolhe-me o luar de cobre
sobre este teto nobre
(desejado como o céu das noites
castanhas)
invadido pela ousadia da lua
ou de um caracol luminoso
no atol das contingências naturais
incandescencia de chama
orvalho laminar
que passeia em folhas sem guarida
-provisória estadia
sobre tenras superfícies-
ribeirão que irá findar-se na alva
(fio curvilíneo
de incompreendida ação -
águas que não se retém nas mãos
Sou um linguista nato,
corro na floresta
de palavras, mas mato
é o termo que presta.
Trilhamos sempre um caminho
Destinado ao belo ou ao feio
No trilho exaspero das flores
Ou então na ventania de verão
Larva ou borboleta do jardim
És dono da metamorfose
Mas ao trair a coragem,
Regressarás ao lado estupefato
Rastejarás nas entranhas do tempo
Ou baterás o voo eterno
Para uma manhã de garoa inefável?
Não se enclausure no casulo