Pensamento

Química

 

Eis que parto!

Não sei se quebro,

Não sei se paro,

Mas parto mesmo assim.

 

Vou para uma terra longínqua,

Uma terra distante

Que nem sei mesmo se terra é.

Que nem sei se mundo existe.

Parto, sem saber o que será de mim.

 

Se haverá um eu,

Se haverá um chão.

Mas haverá um céu,

Haverá um norte

E certamente haverá multidão!

 

Não sintam saudade de mim!

Retorno ao reino atômico.

E quando átomos tornarem a ser,

Abraçarei a todos

Passagem

 

O que trago da vida até aqui

É um carro desgovernado numa autoestrada:

Não preciso de freio,

Não preciso de cinto de segurança,

Quero apenas me arriscar um pouco mais a cada dia.

 

Não tenho mais medo de errar

-Acertar não é mais fácil que isso!

Só peço que me perdoem, não que me entendam

Nem eu mesmo tento fazer isso

-É muito tempo para perder à toa.

 

Tanto faz se prestam atenção em mim,

Eu não sou um quadro, um filme talvez,

Não me pretendo inesquecível,

Absolvição...

Absolvo-me de mim mesma,
das minhas dores e loucuras,
minhas tristezas,meus carmas
e insandecidas paixões.

Absolvo-me e reencontro-me,
tantas sou em uma alma só,
fragmentada,retalhada,
compactada a partir da queda,
dos fracassos, renúncias
e revelações.

Absolvo-me e recomeço,
inteira, alegre,  guerreira,
casulo rompido,trapos abandonados
 esquecidos no pacote de lembranças
saudades e  sonhos desfeitos,
amores e projetos perdidos,
interrompidos, a vida é tão linda,

Muito Louco Mundo

 

Este mundo

Louco

Mundo este

Nosso

Que de louco

Nosso imundo

Coração

Se desfaz

Em ilusões

Confusas

Fantasias

Reais

Acredita

No mundo

Confuso e louco

De uma realidade fantasiada

E se desilude

Porque é verdade

Que é você mesmo

O mundo todo do meu coração.

Rodrigo Dias

(in: “Expressões Impressas & Impressões Expressas”; Usina de Letras, Rio de Janeiro, 2009)

Nestas Horas...

E vejo-me aqui nestas horas tão só e tão minha
acolhida na leveza do silencio a sonhar
enquanto lá fora o mundo desaba, desmonta,
eu crio meu mundo particular.

E como eu danço e eles não ouvem  musica
louca dizem que sou sem  imaginar
que é esta abençoada loucura
que me faz sorrir, cantar e delirar .

                                                              Mariangela Barreto

Loucura Efêmera

 

Vivo de fugas;

Fujo da realidade e não sonho,

Fujo do mundo e não encontro a mim mesmo.

Corro contra o vento e alcanço a tempestade,

Corro contra o tempo, e não chego a lugar algum.

 

Vivo.

Captando e raptando tudo à minha volta

Aprendendo e apreendendo um mundo fugaz

Tendo em vista uma paisagem naturalmente urbana

De um cinza mórbido numa calma correria.

 

São distúrbios sensitivos:

Já não sinto, pressinto;

Não mais vejo, intuo;

Não escuto, percebo;

Diga à Vida

 

Diga à vida que cansei.

Se ela quiser passar, que passe.

Se ela quiser ficar, que fique.

Se ela quiser começar, que comece.

Se ela quiser terminar, que termine.

Não me importo.

 

De que vale a vida longa

Sem uma longa história?

De que adianta uma longa história

Se o tempo é curto?

De que serve o tempo curto?

 

Diga ao tempo que tenho pressa.

Tenho de viver a vida,

Tenho de estudar a vida,

Tenho de trabalhar a vida,

Tenho de namorar a vida,

Completo

 

Me completo deixando espaços em branco

Nos intervalos de um tempo ininterrupto,

Evoluo fazendo sempre tudo igual

Como células que se repetem para morrer.

 

Acho que sou um átomo...

Vivo em constante explosão

Colidindo com meus próprios pensamentos

Coligando-me com os fantasmas,

Sombras de mim,

Que me tornam completo.

 

Meus passos se apagam, se anulam

Sem pegadas, sem registro, sem passado.

Sem passado, sem história, sem futuro.

Sem futuro, sem planos, sem retas.

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