Surrealista

Mistérios

Orvalhos que em prece consagram

As belezas da coroa que é lua radiante

Em todo furor,ó Noite brilhante

Comtodo amor que coração conduz

Da janela do meu quarto se estalam

Sons soturnos da madrugada casta

Não sei que brilho é este que se arrasta

Da catedral ao sino de luz.

 

Este mistério que se levanta e esfria

É como a brisa suave que desliza

Em meu verso de luz que espiritualiza

Cada símbolo de louvor que se cria

São como mádido e formosos soníferos

Que uma virgem em teu pranto derrama

Paletó de madeira

Paletó de madeira

Cá estou eu agora, deitado dentro de uma caixa gélida e pálida, sem status, isso é um fato...

Ao meu redor amigos e parentes a chorar... Quantas lástimas... – Eu o amo tanto... Era o som que ressoava quanto eu estava entre eles...

Queria dizer-lhes algo, mas não posso, meu silêncio é como um vício que há tanto tempo desvio...

No âmago do momento até que tento pelo menos um intento que de tão lento se perdeu no vento...

DESABAFO

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Desabafo do verbo desabafar, não suporto mas a vida, mas tenho que levar!

Levanto de madrugada, susto com gente correndo, outros gritando que estão morrendo... em que mundo estou vivendo?

Som alto à noite toda, não respeitam a lei do silêncio!

Chamar a polícia, não adianta... Eles querem que nós vamos juntos  fazer o som parar! E depois que eles forem embora?

A minha cabeça vai rolar!

É melhor aqui escrevendo, querendo me desabafar!

 

Madalena Cordeiro

ÁGUA MANSA, MÃOS MACIAS

Quero rios e ramos

rumos e rotas

Muros e sol

Pra sair do escuro

À margem de mim

Sair do labirinto

Onde não vejo a saída

 

Quero água mansa, mãos macias

Que me oferece a maçã

Símbolo do pecado

Num convite insinuante

Justo naquele instante

Em que mais vou precisar, você vem

Nas noites frias

Aquecer meu coração

Quem sabe você não se encante

E me encante

Com seu olhar que procura

Numa busca incessante

E seja eu a escolhida

A TRAGÉDIA BRASILEIRA

         A TRAGÉDIA BRASILEIRA                     

As crianças de rua vêem, o triste destino que as consome.

Sem nada poder fazer!

Estão com a barriga roncando de fome...

Pois não tem nada pra comer!

 

Sem passado,presente ou futuro

Elas vagam pelas ruas, sem ter pra onde ir...

Se envolvem com as drogas e a prostituição

Pois não tem mais nada, com que se iludir!

 

Inventam no espírito, formas de proteção

Pois sozinhas elas tem que lutar

Não tem ninguém pra lhe dar atenção

TUDO TEM UM PREÇO

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O filho pede carinho, você diz: filho agora não dá, tenho que trabalhar!

Quando ele crescer vai cobrar. Não vai entender que você precisava trabalhar para o sustentar... É cobrança em cima de cobrança! Existem dívidas que a gente consegue pagar, mas dívidas com filhos, só se pra nós o tempo voltar! 

Se for dívidas com a mulher, só se ela perdoar, depois de perdoado ela não pode mais lembrar, tem que apagar!

E você não pode cometer o mesmo erro, assim volta o desespero

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