Perseverança do dia. Caso 10.

P.D. Caso 10.
 
A Cândida tinha visão, idade das flores, era a figura do sábio da montanha, aquela que nunca desceu, e que, devido a isso, nunca subiu. Sua caricatura era o esboço ponderado na doença do viver. Com o olhar penetrante dos cegos e dos recém-nascidos.
The perfect is broken. No topo do abismo é onde o precipício é mais alto. A hipótese da consciência.
Bom dia. Comentou minha presença. E em seguida me instruiu. A quem quer que seja. Não devemos deixar de sermos nos mesmos para evitar o desprezo dos outros. Cabe-nos, apenas, não desprezar ninguém. E vice-versa. Isso resolve o problema. O diferente é intragável? Nojento e repulsivo? É aquilo que teme, inveja ou não compreende? Inadequado? Corrupto? As pessoas são o que são, sentem como sentem, pensam como pensam, agem como agem, acreditam como acreditam, mudam como mudam, permanecem como permanecem, se expressão como se expressão. E não tem nada de errado com isso.
Hum, e o que você sabe?
Nada, é por isso que eu posso dizer muitas coisas.
E ainda assim só diz uma.
Às vezes uma é mais do que o suficiente.
Uma é o necessário?
O necessário é o todo e o todo é nenhuma.
Essa é a ordem dos instintos? No interior que dá liberdade ao selvagem, o homem nele mesmo, a concretude da curiosidade do fenômeno, nas fábricas da força, onde as feridas da cura são o contrato do sangue.
No eterno, a dívida na inversão do pagamento castiga pelas formulações. E perante o basilar das relações, o desequilíbrio, com os deuses e o afeto, oferecem o vínculo do resultado com a disputa do caráter da vida. A bainha da consciência.
Dizem que o processo não admite cristalização, mas o fértil é o primeiro que olha, traça uma linha, a arte latente, a desconfiança no sacrifício. Que dá pé pra manga e uma estirpe aos antepassados. O eclipse transmutado em formas observadas pelos ascetas do antinatural, os quais resgatam o anseio do conceito.
Sabe, na sua maior parte e na maioria das vezes, a filosofia não passa de literatura ruim. Deveriam resetar essa coisa, começar de novo. Não estou falando pra queimar nada não, só parar de acreditar nesse amontado fetichista metafisico sem direção. Onde deus mora em cada conceito como a cruz na igreja da razão. Começa de novo, não segue as chibatadas de ninguém; pensa por si mesmo, só uma vez. Tira a cara do livro. Nem que seja pra ir na fé. Como já faz.
Prega algum monoteísmo livre de culpa, no refúgio do mundo, tendo a vida como critério da quantidade e da qualidade. Por acaso o que conduz é a estupidez da leitura, no extremo da crença, onde há a descrença. Onde e quando o caminho dilui, se dissolve a fé?
Além de mim, todos os filósofos são bolas de neve.
Hum, explique.
Não.

 

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