Aforismo

colonizou a si mesmo

O Batel vem deslizando em águas mansas divide a espuma branca no breve chuá, onde a brisa Mansa me Remansa   e se faz sonhar.

Chego de olhos vermelhos lagar para colonizar minha própria terra onde nasci e vivo a remar.

 No poente ainda que escuro sol velam por nós em âmbito igual mesmo que casuais estrelas cativas que giram pelo poder de uma estrela colossal.

A gloria do poema

A glória do ferido

Arames oníricos tecem minha coroa de espinho paranoide, eu achava que iria unir o céu e a terra, só me restou a sorte.

Farpas afiadas saem de olhares sem consideração, minha boca cospe balas de prata que acerta o vampiro chauvinista.

Grande mar de solidão olhares invernam minha alma, carrego Cruz Rubra de sangue Cruzado escorre nele lâminas que reflete pernas pornográficas. Tragam-me a cabeça de João Batista. A glória do ferido.

 

Nubígeno

Nubígeno que vem das nuvens,
estrigar macio e sedoso;
Da aritmomancia que adivinha o número,
através da oomancia!
 
Ponxirão de mutirão,
urente queima.
Produzindo ardor, sandeu;
 
Tolo, estúpido, idiota;
um verdadeiro treboçu!
 
Quando desanima-se apela ao zumbaieiro;
Onicofagia que rói teus próprios sonhos!
 
(ARCHANGELO, A. Ápeiron, 2019, Ed. Buriti, 1ª Edição)
 

capacidades

Porque a vida é feita das suas maneiras!

Cada gesto que cai numa outra acção:

ganhamos capacidades?

Ou fazemos mais asneiras?

Cada respirar tem a sua razão!

Como cada sorriso tem por trás outras tantas felicidades:

Sentimos que a vida bate como o coração?

E as estradas que nos conduzem sem maneiras:

Cada música tem novas singularidades!

Como cada vida tem a sua situação...

Troca

Surge de uma mudança ou uma decisão!

Trouxe o vento:

Registo de um outro momento

Ou quem sabe de um outro coração?

Cabe todo o dia num abraço:

Agora talvez deitado num colo ou regaço!

A noite perdura neste ser!

Como posso não o escrever?

A vida calhou na troca:

A depressão!

Como roda que rola rápida em contramão

Mais um embaraço!

Como se fosse diferente sentimento

Ao qual não se destroca?

Deixa o sol de aquecer

Deixa a vida de ser paixão!

Deixa até o bater de ser dança!

Past imperfect present

The wardrobe is a very special closet, sometimes we find rouperos packed with clothes and some people talk: why, does not it? Do not use! It's out of style, or someone else could use it. I usually donate clothes I do not wear, but some are special to me. The fact is that reason escapes us, because it is not the play itself, but the story, the part of its life, that is stored in it, what happened, or ceased to happen, as it imagined to use, or with whom, or what phase of his life he belonged to.

Pasado del presente imperfecto

El armario es un armario muy especial, a veces encontramos roperos llenos de ropa y algunas personas hablan: ¿por qué, no da eso? ¡No lo usa! Está fuera de moda, u otra persona podría usar. Yo suelo donar ropa que no uso, pero algunas son especiales para mí. El hecho es que la razón, nos escapa, porque no es la pieza en sí, sino la historia, la parte de su vida, que está guardada en ella, lo que sucedió, o dejó de suceder, como imaginaba usar, o con quien, o a qué fase de su vida perteneció.

surpresa

Surge sem espera!

Como se fosse pressa?

Ou talvez outra forma de errar?

Uma porta perra!

Uma janela aberta em par:

Uma surpresa!

Que nem se supusera!

Uma tela espessa

Ou um véu para se usar?

Cobrindo-se a surpresa

Descobrindo-se e a superar!

Fica-se livre para apurar?

Sem haver outra pressa!

Senão a pressa de ser:

usar, passar e que se supere!

Sem Exagero

Grande!

Sem exagero

Porque branca a folha onde se escreve:

Cada palavra pequena!

Sem exagero!

E o sonho se expande:

Num tempo onde nunca se esteve?

Então espero!

A folha aos poucos deixa de ser pequena

A luz com o dia se amena:

Exagera, sem exagerar!

A tinta que escorre dum verso sem rimar:

Mesmo de um verso  que resiste

Sem exagero

O tempo, ou amor que quero!

Que se expande:

Mesmo sendo pequeno

Existe!

E grande:

Persiste?

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