Aforismo

psiuu...

Saberemos, nós, feitos poetas, algum dia, quantas palavras caberão no silêncio alheio?

 

Saberemos?

Nós, não seremos donos da poesia!

Feitos de palavras predilectas:

Poetas?

Algum barulho, como devaneio:

Dia!

Quantas noites, por vício, por dormir ficarão?

Palavras sem termo meio!

Caberão?

No mesmo momento:

Silêncio como sentimento:

Alheio!

 

Saberemos poesia?

Feitos donos de um certo devaneio!

De palavras predilectas:

Nós poetas?

Sem termo meio,

do que somos feitos?

Afinal podemos dizer que sabemos do que somos feitos, fora a escrita?

 

Afinal nem tudo conhecemos!

Podemos inventar numa situação aflita:

Dizer!

Que apenas aconteceu,

Sabemos que não somos perfeitos?

Do futuro, ideias, imaginação: o céu!

Que mais do que escrever?

Somos aquilo que ficará por acontecer?

Feitos:

Fora: todos desfeitos!

A vida é o que já sabemos:

Escrita!

 

Afinal aflita!

Tudo conhecemos:

Somos perfeitos!

Tudo podemos inventar:

saber!

Saberemos diferenciar todas as histórias que lemos hoje sem as esquecer amanhã?

 

Saberemos outras mais inventar,

Diferenciar!

Todas as conversas que tivemos,

As mais pequenas memórias,

Todas juntar para um dia contar:

Histórias

Que, afinal, até as queremos escrever,

Lemos!

Hoje, como se fosse só um dia!

Sem pensar na vã ousadia,

As voltas de no fim termos que ser,

Esquecer:

Amanhã!

Saberemos diferenciar!

Outras, até, inventar?

Conversas que lemos,

Histórias,

enlevado

Por quanto tempo nos deixamos ir, enlevados, por uma calma melodia, embalo?

 

Por ser magia?

Quanto do colo é abalo?

Tempo que acalma!

Nos olhamos:

Deixamos!

Ir,

Enlevados!

Por uma razão íntima,

Uma sensação ínfima!

Calma:

Melodia!

Embalo dos calados.

 

Por ser abalo?

Acalma

Nos olhamos!

Enlevados,

Por uma razão deixamos:

Embalo!

Melodia de calados:

Íntima,

Calma!

Sensação ínfima.

bem junto

Porque será que queremos bem junto de nós aquilo que nos satisfaz?

 

Porque assim somos felizes?

Será que toda a gente o faz?

Que a luz mantenha as suas matizes!

Queremos?

Bem: sustentos, o maior assunto!

Junto,

De punho no que escrevemos!

Nós!

Aquilo que somos sós!

Que é assim que nos torna capaz!

Nos piores momentos:

Satisfaz

 

Porque a luz tem as suas matizes:

Queremos!

Momentos!

Em que somos felizes:

Sustentos?

Toda a gente o faz!

vínculo

Será mesmo necessário sentirmo-nos vinculados a um restrito sentido nesta vida terrena?

 

Será a nossa estrada serena?

Mesmo como está escrito!

Necessário,

Sentirmo-nos!

Vinculados?

A este modo ordinário?

Um dia de tons amarelados!

Restrito:

Sentido?

Nesta sina singirmo-nos:

Vida,

Terrena!

 

Será como está escrito?

Sentirmo-nos!

Estrada de modo ordinário,

Vinculados!

Um dia: restrito!

Vida?

Como estrada serena,

Dia necessário!

espera

Será que um dia aprenderemos a saber esperar, como a nossa prisão?

 

Será eterna solidão?

Que nos fará perpetuar?

Um dia por escrever!

Dia de razão!

Aprenderemos?

A saltar:

Saber!

Esperar?

Como se aconteceu o que quisémos!

A sina é tentar?

Nossa perdição:

Prisão e paixão!

 

Será razão?

A perdição,

A esperar!

Como saber?

A sina é saltar:

Escrever,

Dia de paixão?

Que aprenderemos

Como quisémos?

Tentar!

fagaria

Será que escrevemos, escolhendo as melhores palavras, apenas em jeito de fagaria?

 

Será com o intuito de convencer?

Que seguimos o melhor de nós, vivendo?

Escrevemos!

Escolhendo,

As fortes rimas por defeito:

Melhores?

Palavras com sabores!

Apenas como o mestre faria?

Em toda a sua gíria!

Jeito,

De valor fica o que fazemos:

Fagaria!

 

Será melhor vivendo?

Convencer com o que escrevemos:

Rimas com defeito?

Escolhendo as melhores:

Como sabores:

Faria?

Perseverança do dia. Caso 07.

P.D. Caso 7.

 

O petiz me esperava sobre a luz opaca do consultório. Sexo masculino, idade das promessas.  Toquei em seu ombro tremulo, mirrado, que buscava adentrar o próprio tronco a procura de abrigo. Quem é você? Perguntou assustado. Sua luz era a música verdadeira, sua força esquecida na digestão da consciência, ativa, bruxuleante e viva.  Bati de leve duas vezes, ele entendeu.

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