Coração valente
Autor: Erik Leonardo R... on Thursday, 21 July 2016Coração valente
Coração valente
Coração valente
Coração valente
a sofística demência do poeta
expulsa-me da alma o sonho anunciado
e o poema cala-se-me na boca desiludida;
o presente é agora um feixe de folhas
brancas, sufocadas em palavras despidas
- talvez o verso 'inda se acuse,
por entre as estrofes magoadas
ao encontro da rima arrependida
que absolva as reticências glosadas
no capricho nietzschiano do poeta
ó musa cuspida no não sentido da palavra
inquieta! não me renuncies ao silêncio do mote acidulado!
recria-me agora no corpo das letras abandonadas!
Este grito que vem das minhas entranhas
Traduz em mim, numa dor tão grande
Alma em suspiros reprimida no peito
Desabafa a saudade em querer viver
Piso a antiga calçada de frias fragas
Com os pés descalços, num caminho
Que é longo, com os anos passados
No eco das frágeis asas com que voa
Já sem força e talvez já sem vontade
Tempo perdido no inverno que é frio
Na própria sombra onde olhamos sem
Conseguirmos sequer olhar para ver
Este mundo infernal que se está a tornar
Você que sempre me fez sorrir
E agora me dizendo assim
Que não quer mais me vê.
Me dediquei inteiramente a você
Me arrisquei , sempre lutei
Jamais tentei faze-la sofrer
Me apaixonei , eu te amei
Me diga então
Se há razão
Para machucar meu coração.
Estou vazia sem força
De linhas cosidas na alma
Num silêncio absoluto
Ensurdecedor de palavras
Soltas, perdidas, esquecidas
Escritas que não querem conjugar
Não consigo escrever, o meu corpo
Foi, passou para lá do limite, quem sabe
Fumo talvez o último cigarro de ti
Para nunca mais te voltar a tragar
Inspiração que traz à minha boca
O teu sabor, sabor esse que traz
Ao meu peito um tremor invasivo
De um intenso desejo do teu aroma
Aroma perfumado da tua pele em mim