Gótico
ARMADURA
Autor: FERNANDO ANTÔNI... on Saturday, 23 July 2022
i.
a sutura do entardecer
consome minhas urgências
com a cáustica volúpia
de degredo ou de dano
ii.
o que não é forma ondulada
me remete à constância
das linhas adivinhadas
que se escoam sem discordância
iii.
minha inadiável iminência
também não se dissolve
como tempestade que tarda
clamando por seus relâmpagos
iv.
desse combalido ditame
me protege cromada couraça
recobrindo minha pele e espírito
com indevassável membrana
O vento das cinzas
Autor: Reirazinho on Monday, 30 May 2022Até quando os ventos me jogarão?
Não tenho ideia ao que leva isso
Prostro mais um dia — clarão:
Estou cego pela mentira. Omisso,
Não da vida ou da sorte incerta;
A dona da tempestade bruma,
Dos júbilos da majestade serva
E Rainha da rosa murcha:
Senhorita Morte me regojize
Um último desejo material:
Incinerar meu corpo que exprime
O melodrama da vida lacrimal.
Minha existência voará ao poço
Pareidolia
Autor: Reirazinho on Monday, 30 May 2022Vejo sombras nos arames
Tateio enforcamento na luz
Querem costurar meus ossos
Sob os pecados da carne
Pisco uma ou duas vezes
E lá fito Saturno encarando
Sou tão megalomaníaco
Que acredito ser um lunático
O Deus dos fins a violar-me
Quem dera se fosse real
Deve ser a autoconfirmação
Da minha virtude desleal
Profecia gótica
Autor: Reirazinho on Wednesday, 11 May 2022Fotofobia
Autor: Reirazinho on Wednesday, 27 April 2022ESTIO
Autor: FERNANDO ANTÔNI... on Sunday, 10 April 2022Aqueles que pertencem à noite
Autor: Reirazinho on Sunday, 13 March 2022Um espírito escuro está rondando
Os degraus do local insólito
Rugidos melindrosos crescem aos ouvidos
O inferno quer devorar a maldita alma
Neste hospício as vozes me enlouquecem
Não há nada além dos cantos que fenecem
Obscura chance de fugir, torrente sorte
Enclausurada na parede torpe
Indriso — I
Autor: Reirazinho on Wednesday, 2 March 2022Imortalidade da alma sórdida
É o recurso daquele esquecido
Desistiu da carne sofrida
Porque viveu em inútil suplício
Perambula fora do caixão
Pois, foi encontrado morto no sótão
A realidade de uma vida sequer
vivida, ou uma história de ficção qualquer
Costureira
Autor: Reirazinho on Thursday, 24 February 2022A costureira mais voraz
Com sua agulha tão profunda
Espeta segredos das pessoas
Ela dá uma nova roupagem
Para a mentira adornada
Estética mais bela e fugaz
Para o homem verdadeiro
Esquecido em solitude
O sangue pinga no véu
Impetuosamente ela
Entende: para a virtude
Sorrir, manchas devem
Existir

