Política

General da Guerra

Encalamistrei-me quando fui profundo...
Todos me avisaram e me fiz de surdo.
Todos desistiram. Fui um ser colérico!
Estas memórias... Estas memórias fluem
Elas só fluem. Das ruínas onde flanei
Sem qualquer sistema numérico
Recebi convites forjados
Agora não posso reclamar das dores formidáveis
Agora, só o barulho da chuva.
Da minha chuva. Mas chuva de lágrimas
Chuva indesculpável.
Sou um general da guerra, trago a farda manchada

A Urna.

Apenas a Índia havia testado aquilo
(A Urna, o instrumento...)
Mas aqui, aqui dentro
Aqui foi onde teve a quebra do sigilo. 
Os mecanismos de controle 
A desculpa nos benesses
A Urna e o balde.
Dezesseis vota mas não é preso 
Cenário no mínimo, questionável.
A Urna...
A fraude
O crime. 
O esmo imutável!   
 
06 . 08 . 2014

Roubalheira

Estão roubando o carteiro

Não recebi as cartas que eu esperava.

Estão roubando a carteira

Não comprei o pão para matar minha fome.

Estão roubando a bandeira

E até o pedestal!

Cadê a Polícia?

Entraram em greve.

O carteiro entrou em greve,

O gari entrou em greve,

O bombeiro entrou em greve,

O enfermeiro entrou em greve.

O que realmente precisa

É que o governo entre em greve!

Edson e o Calabouço

Mataram, há cinquenta anos, os sonhos que insistiam no Calabouço.

Dura, fascista sentença que a gente do burgo proferiu,

após marchar para Deus.

Dura e fascista sentença contra um jovem que pecou

pela ingenuidade de acreditar e de sonhar outro País.

Dura sentença nazista que tal como zumbi do Mundo terceiro

ainda vive entre os covardes. Ainda vive entre os hipócritas,

sempre prontos a trocar a independência

pelas migalhas que a Elite lhes atira.

Ainda vive entre a canalha falsa moralista

O mundo das fadas

O senhor que estás no alto

Podes me escutar?

Eu sei, eu falo baixo

Meu grito é rouco

Mas tenho sede senhor!

 

O senhor que toma partidos

Podes me ver?

Eu sei, sou franzino e pequeno

Minhas pernas são fracas

Mas tenho fome senhor!

 

O senhor que trajas indumentária fina

Consegues sentir meu cheiro?

Eu sei, suo muito

Não tenho perfume

Mas sou perfumado pela terra senhor!

 

Não me rezingue senhor!

Não tenho culpa

Eu só te peço que tenhas pena

ZÉ NINGUÉM, UM CIDADÃO?

ZÉ NINGUÉM, UM CIDADÃO?
 
Zé ninguém, um cidadão
que ninguém ouve
Sem lenço, sem documento
Vai seguindo sua trilha
Atrás da sua lenda
Pra realizar suas sendas
Sem documento, não é cidadão
Se não é cidadão não tem nome
Nem identidade
É um Nada,
Um Zé ninguém
Um zero na multidão
Que pensa que não é nada
Mas que tem seu valor
Na hora da eleição

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