Prosa Poética

Não estou vendo a hora

Não estou vendo a hora
 
pra te cobiçar
 
toda
 
desfragmentada sem penhora
 
em laivos embebidos em tantos
 
vestigios de pujante alegria inventada
 
qual metáfora desertora
 
 
Não estou venho a hora
 
de te agitar palpitante
 
cobrar-te excitante
 
todos os beijos que multiplicámos

Coube a mim

Coube a mim essa
 
porção de saudade
 
colhida em unanimidade
 
quando sustento e personifico
 
teus beijos em rasgos de amor
 
e voracidade
 
 
Amadureci a paciência
 
que tempero noite e dia
 
mal se deite a lua por teus
 
raios empolgada
 
Coube a mim
 
imaginar-te assim

Barco

Começo por sofrer de ter visões e não as tenho.

Visagens, viagens, vertigens, passam. Por que não?

Coisas e terras que antes não me havia passado,

Nem pelo meu lado de fora.

Afinal, o que se passa quando por acaso algo por alguém passa?

Quando o silêncio bate à porta

Quando o silêncio bate à porta
 
asseguro-me feliz
 
das leves brisas
 
que teu perfume importa
 
soprando em convergências
 
sem demais interferências
 
do tempo
 
varrido no restolho de uma
 
fogueira ainda crepitando nos ventos
 
 
Quando o silêncio bate à porta
 
empunho todas as emoções
 

Saí por aí

Saí pra sonhar
 
regressei nos teus exclamados
 
cânticos de vida
 
juntei todas as travessuras
 
decantadas na bagunça
 
do tempo
 
envolvi palavras dóceis
 
no mesmo dicionário
 
onde reescrevo cada instante
 
de um instante distraído onde
 
mora nosso destino
 
visionário e delirante

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