Prosa Poética

Oceanidade

Sejam benditos
 
teus tons em instrumentais
 
vozes de mestria
 
reflictam nossos corações
 
todo poente musicado
 
em canções sem palavras
 
rimem os compassos ternos
 
proclamando a gentileza dos
 
teus suaves acordes
 
resgatando nossas liberdades
 
na completa redenção
 

Tempo de súplica

Desatei às portas da noite
 
o nó de meus nómadas
 
arredores vadios
 
contornei as ânsias
 
no espaço livre que me ofereces
 
 
   Enlacei este dia
 
com fios de vida acorrentados
 
à fome que alimenta a fartura
 
de tantos desejos insânos
 
 
  Soltei as rédeas
 
em cada verbo mais livre

Há em mim

Há no céu tanta
 
ânsia cativa em movimentos
 
extasiados
 
tantas tranjetórias frenéticas
 
desenhadas na maciês deste
 
constante devaneio afluindo à tona
 
em noites vestidas de purpura
 
num poema trajado de olímpicas quimeras
 
onde nasce o dia grisalho
 
tatuado em bálsamos musicados
 

Em trânsito...

Desabotoei de mansinho
 
as cores e o destino que desvanece
 
na tarde
 
lembrando o contorno de cada palavra
 
ouvida e sentida nas preces errantes
 
 
– Decorei um mundo de
 
perguntas que nunca fiz
 
arrastando as horas
 
até ao declive onde morre o tempo
 
elaborei todas as respostas
 

Pages