Ensinamento do dia

Ensinamento do dia

 

Esperança, euforia, alegria, realização. O movimento que tem por referência outro movimento, é imóvel; mesmo que o rastro das partes se apresente como transformação, na totalidade, sua constante inconstância lhe garante o grau de equilíbrio. A êxtase da paz, onde o ódio muda de forma, de alvo e de nome, mas mantém sua catástrofe. Ao justo do punho e cajado de sete pontas, a estrela do norte, estase daquele que rema na lava. Na esperança, quem acredita que um mais um é igual a dois, está disposto a acreditar em qualquer coisa, o procedimento de convencimento é diverso, mas o recalcamento social é constante. A autoridade é comprovada pela dormência da dúvida, na fé racional que louva ao mesmo tempo que sobe ao púlpito e sente o hálito do orgulho em sua cria. Na euforia, o suor seca e refresca a pele, quem vocaliza ouve a própria voz e circunda a própria finalidade, és, sou, repetem, ouvem, somos, ecoa, estamos; e no será, repetem, é. Dúvida, é. Verdade, é. Mentira, é. É, é. O ser. Na alegria, a expectativa se expectativa e se expectativa. Sempre sendo, satisfazendo e reificando, empilhando ao retirar os blocos da base e os colocando acima, e acima, e acima, e acima. Sempre outros, sempre os mesmos. Na realização, a obra reboca os vincos, película que reveste as articulações, os encaixes, os desencaixes, são tantos, são todos, são decomponíveis em decomposição, recomposição, imposição. A superfície transparente de um universo em constante rearranjo, véu intangível que recobre e não recobre. Um frio que aquece.

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